quis a moldura encaixar-nos carne
e a garganta prender-nos ossos
da cabeça aos pés, existimos
feitas de uns e outros
sempres e jamais, como as palavras
seguimos muito juntas
concebendo esferas à volta de nós.
mesmo às escuras,
encontramos o dia seguinte
por detrás da porta fechada das casas
e, à traição, o tamanho nunca foi pátio,
o detalhe é o único todo diário
um coro de espelhos
à procura de equilíbrio
na ponta aguda das facas
ao fundo, um véu de pássaros
não finge saber para onde voar
num charco suspenso de brasas
ainda assim,
queremos tudo
o que não sabemos se existe
e, em caso de emergência,
abrimos asas
para que o céu nos deslimite
Inês Falafogo
Dia da mulher 2026
