Não consigo sublinhar livros, nem dobrá-los, mas tenho alguns com vincos na capa por andarem comigo para todo o lado. Adoro ler em casa, adoro ler na rua. No sossego de um jardim e na azáfama do dia-a-dia.

Há livros em que penso com alguma frequência como se fosse uma pessoa de quem sinto saudades. Alguns ficam a ecoar na minha cabeça durante semanas após os terminar e às vezes fico com um sentimento de luto quando me separo deles. Há livros que me vêm à cabeça de repente ou porque algo me fez lembrar deles. Uns servem para fugir do mundo um bocadinho, outros para melhor o compreender, ou para compreender de que forma me sinto perante o mesmo.

Eu não consigo sublinhar livros mas encho a galeria de fotos deles para não me esquecer das passagens, criei um separador nas notas do telemóvel para organizar as citações que gosto e quando não tenho tempo aponto o número da página.

Há livros que como muito rápido, outros que demoro mais a saborear. Às vezes leio apenas um, outras vezes três ao mesmo tempo. As minhas leituras têm várias cores e vozes diferentes. Uns berram, outros sussurram, uns são estranhos que se apresentam com timidez, outros quando chegam já me cumprimentam com confiança.

Eu leio de acordo com o tempo: livros solarengos no inverno não combinam, nem livros frios em dias de praia. É assim que vou viajando nas minhas leituras, às vezes com livros que pouso pelo meio por não serem para mim, mas todos eles um pouco diferentes e a acrescentar algo à sua maneira, pois não me prendo a um só género.

 

Inês Costa